Cacique
de Ramos é o nome de um bloco carnavalesco do bairro de Ramos na
cidade do Rio de Janeiro. Uma quadra de futebol de salão é o local
onde ainda se realizam os ensaios do bloco e também no final dos
anos 70, onde se iniciou o maior movimento de samba que já se teve
notícia: Os pagodes de Fundo de Quintal. A principal
característica de seus componentes é que sempre saem em
indumentárias indígenas.
Por muitos anos o Cacique de Ramos desfilou na avenida Rio Branco
que era o local onde desfilavam os blocos e o Cacique, sempre
vinha na avenida com mais de 10.000 integrantes enquanto os outros
blocos nem chegavam nem a metade. Seu maior rival na avenida foi o
bloco Bafo da Onça. O Bafo da Onça era comandado por Osvaldo
Nunes, cantor compositor, representante e defensor do samba da
época. A rivalidade entre Bafo da Onça e Cacique de Ramos era tão
grande que quando eles se encontravam na avenida, era sempre caso
de polícia. As brigas reinavam em todos os sentidos. Por muitas
vezes o Cacique chegava a atrasar o desfile por mais de 4 horas só
para pegar o melhor horário e não permitir que o Bafo da Onça
fizesse seu carnaval. Se algum componente viesse pela rua com a
fantasia do Cacique e alguém do Bafo da Onça com sua fantasia, era
melhor um dos dois atravessar a rua, caso contrário seria briga na
certa e quem estivesse em desvantagem que arrumasse logo outros
parceiros para, pelo menos, poder empatar a briga. Mesmo nestes
casos o pessoal do Cacique também saía em vantagem.
O Cacique sempre teve mais nome na avenida e no samba, por causa
do seu pagode que acontecia todas as quartas-feiras em sua quadra.
Com isso conseguia levar um grande número de pessoas influentes do
meio do esporte, televisão e muitos artistas para abrilhantar seu
carnaval. Com uma nova roupagem, filosofia, letra, melodia,
harmonia essa roda de samba passou a ser especial e cada vez mais
comentada em todo o Rio de Janeiro.
Tudo o que havia na época em termos de samba, na roda do Cacique
aos pés da Tamarineira, era diferente. Muitos sambistas surgiram
desse movimento e atuam até hoje em defesa daquilo que aprenderam
a gostar.
O Grupo Fundo de Quintal mantém suas tradições e nunca se utilizou
de outros instrumentos alheios a seu prestígio e performance em
suas andanças pelo mundo. Quisera esses grupos novos que se
intitulam de pagode, seguissem esse mesmo caminho em sua formação
musical e instrumental... Sempre prevaleceu o som de cordas e
percussão porque esses professores do samba, não necessitam de
mais nada, além desses instrumentos para nos fazer cantar e sambar
até o sol raiar.
As músicas cantadas na roda eram bem compostas, os versos de
improviso eram engraçados e os improvisos dos versadores era belo
de se ver. Quem pertenceu e quem pertence ao Grupo Fundo de
Quintal é porque tem com certeza algo muito diferente de nós. Não
conseguiremos nunca tirar o som desses senhores, nunca comporemos
igual a eles pois o som deles é diferente é especial.
Com certeza a raça, a cultura, o poder a harmonia a luz, além de
milhares de outras características os fizeram assim. Eles fazem
samba porque gostam, sabem e representam compositores do quilate
de Candeia, Nelson Cavaquinho, Cartola, Heitor dos Prazeres, Velha
Guarda da Portela, Neco do Reco, Pedrinho da Talita, Manoel
Português, Pessoal da Serrinha, Ismael Silva, Trindade, Argemiro,
Wilson Batista, Moquinha, Pedro Sabão, Adoniram, Pedro Marteleiro,
Tia Madalena, Tião Cantador, Wilson Moreira, Nei Lopes, Paulinho
da Viola, Noel Rosa, Talismã, Geraldo Filme, e tantos outros.
Tornou-se hábito dos artistas do samba, ao gravarem seus discos,
irem procurar sambas novos na roda do Cacique dando assim crédito
a qualidade dos sambas que se surgiam desse novo movimento.
O pagode já estava bem conhecido e comentado até que Alcir jogador
do Vasco da Gama e amigo de Beth Carvalho, (que levou seu produtor
Rildo Hora) levou-a para conferir o que havia de diferente naquele
samba. Beth foi gostou e passou a ser freqüentadora assídua dos
pagodes e madrinha do Fundo de Quintal passando, assim, a
representar os sambas cantados na quadra do Cacique.
Após conhecer os componentes do Cacique de Ramos, Beth Carvalho
convidou-os para atuarem como músicos em seu próximo disco no
final de 1977/78, disco esse, que se chamaria Pé no Chão. O nome
Fundo de Quintal foi dado por um amigo e antigo produtor musical
chamado Valdomiro. Estava assim iniciada a carreira artística do
Grupo Fundo de Quintal e após o sucesso do disco de Beth Carvalho,
o Grupo Fundo de Quintal no ano de 1980 inicia sua carreira
profissional.
O Grupo Fundo de Quintal em seu gênero é o mais premiado. Além de
tantos outros prêmios o maior prêmio da Música Popular Brasileira,
PRÊMIO SHARP em seus 12 anos de existência tem o Grupo Fundo de
Quintal como recordista em premiação: venceu por 10 vezes, sendo 7
consecutivas como o melhor Grupo de Samba. O grupo Fundo de
Quintal no início do ano 2001, está com 21 anos de carreira e
nesse período vendeu milhões de discos, recebeu por inúmeras vezes
vários discos de ouro e vários de platina sendo o primeiro no
gênero a atingir vendagem superior a 500.000 cópias.
Possui menções honrosas por seu trabalho e respeito ao samba,
tendo inclusive discos ouvidos pelos maiores cantores, produtores,
músicos, maestros de todo o mundo como referência do verdadeiro
samba.
O grupo inicialmente era composto pelos seguintes músicos:Almir
Guineto,Bira Presidente,Jorge Aragão,Neoci,Sereno,Sombrinha e
Ubirany Arlindo Cruz e Valter Sete Cordas entraram mais tarde.
Hoje é composto pelos músicos: Ademir Batera, Cleber, Mário
Sérgio, Ronaldinho, Sereno, Bira Presidente e Ubirany
O grupo destaca-se por usar instrumentos como o banjo, o tam-tam e
o repique de mão.